"Da mulher -que me chamaram: ela não estava conseguindo botar seu filho
no mundo. E era noite de luar, esta mulher assistindo no próprio
rancho. Nem rancho, só um papiri à-toa. Eu fui. Abri, destapei a porta
-que era simples e encostada, pois que tinha porta; só não alembro se
era um couro de boi ou um tranço de buriti. Entrei no olho da casa, lua
me esperou lá fora. Mulher tão precisada: pobre que não teria o com
que para uma caixa-de-fósforo. E ali era um povoado só de papudos e
pernósticos. A mulher me viu, da esteira em que estava se jazendo, no
pouco chão, olhos dela alumiaram de pavores. Eu tirei da algibeira uma
cédula de dinheiro, e falei: - 'Toma, filha de Cristo, senhora dona:
compra um agasalho para esse que vai nascer defendido e são, e que deve
se chamar Riobaldo...' Digo ao senhor: e foi menino nascendo. Com as
lágrimas nos olhos, aquela mulher rebeijou minha mão... Alto eu disse,
no me despedir: - Minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo tornou a
começar!...' - e sai para as luas".
(Grande Sertão Veredas - Guimarães Rosa)