quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

15 meses, lado B do Ravi, (quase) desmame e gracinhas

"Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui"


Os quinze meses de um bebê é considerado um marco pelos especialistas. São dois anos de "existência" na terra desse ser, que agora chamamos de Ravi, 9 dentro da barriga mais 15 meses fora.

E aqui em casa está sendo uma revolução.

Tem uma semana que ele está muito aborrecido, os caninos de baixo estão nascendo, não quer mais dormir no horário que sempre dormiu (mas continua acordando às seis da matina), não quer dormir na cama, está quase desmamando, não quer saber de mamadeira e dá xilique por qualquer contrariedade. Com direito a beiço gigante.

O desmame está acontecendo devagar e foi de vontade dele. Depois de passar o recesso de natal mamando muito, quando voltei a trabalhar ele simplesmente largou, não quer mais. De vez em quando dá umas bicadinhas mas nessa semana tensa que começou agora ele parou de vez, não quer mesmo. (nesse tempo me procurou duas vezes para mamar e só).

Eu ainda tenho leite e bastante, parece que está acumulando e inflando, rsrs, vamos ver, deve secar com o tempo, que pena...

O engraçado e que não quer também saber de leite artificial e nem mamadeira, joga longe se eu ofereço ao melhor estilo primadona da família Moreira, (como pode tão obviamente ter puxado esses genes ruins!).

Não sei mais o que fazer para ele tomar leite, já tentei batido com banana, com graviola, até frapê de goiaba eu fiz, e nada...

Vou ter que apelar pro iogurte e pro suco de couve.

A hora de dormir que sempre foi um sossego, dormia às 20:00 em ponto nem demorava, agora custa tanto que tenho saído do quarto dele às 21:30. Acorda agitado de madrugada e só aceita ser colocado pra dormir no chão (que eu encho de almofadas e travesseiros), não quer saber da cama, a gente aceita e cobre ele com edredom pelo menos e tenho também colocado aqueles pijaminhas com pé bem quentinhos.

"Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer!"

Nos últimos dois dias tem dormido a noite inteira na rede (ufa) e já aprendeu a sair dela sozinho.

"Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?"


Como o ritual de dormir incluía sempre peito ou mamadeira agora estou substituindo por chá morninho no copo e ele tem adorado aceitado, junto com a Santa Chupeta que Ravi nunca foi um grande fã, mas agora é a única coisa que tem acalmado ele nesses dias. E isso me dá medo e também um alívio tremendo ao mesmo tempo!
Sempre tive sentimentos contraditórios em relação a amamentação, e agora estou sentindo alívio e saudade ao mesmo tempo. É o fim de uma era, fim do meu bebê agarrado no peito e vai deixar muitas saudades. É um clichezão mas era um "momento só nosso", acho uma pena ele ter parado tão cedo, enfim, queria ter chegado a pelo menos dois anos, acho importante a amamentação "prolongada", mas nunca tive um volume muito grande que o cativasse a fazer do leite materno seu principal alimento, fora que o fato de eu trabalhar fora atrapalhou bastante por mais que digam o contrário...


Carreguei na barriga, amamentei e agora ele está livre, independente e desapegado, desmamou!
Amadureceu, não quer mamadeira!

E eu, depois de 2 anos hormonalmente loucos, vou voltar ao "normal"...

Alívio!

:)


(...)



"No período que imediatamente antecede o chamado salto de desenvolvimento, 
 o bebê repentinamente pode se sentir perdido no mundo, pois seus sistemas perceptivo e cognitivo mudaram, houve uma maturidade neurológica, mas não tempo hábil para adaptação às mudanças. Então o mundo lhe parece estranho, e o resultado da ansiedade gerada é geralmente desejar voltar para sua base, ao que já lhe é conhecido, ou seja, a mamãe! 
Em vista disso, é comum ficarem mais carentes, precisando de mais colo, e com frequência há também alterações em seu apetite e sono.
Então, nessas fases, é preciso apenas ter um pouco de paciência e empatia com o bebê - 
depois do processo de aquisição da nova habilidade (como rir, engatinhar, sentar, interagir, andar) o bebê dá um salto no desenvolvimento e demonstra felicidade com o final da ‘crise’. 
Ou seja, por um lado, o bebê fica feliz com a nova habilidade e independência que vem junto, e já é capaz de se afastar um pouco da mamãe. 
Por outro lado, sente angústias e receios com essa nova situação. 
Isso lhe traz sentimentos dúbios: é como uma ‘dança louca’ entre separação e apego, onde o bebê irá flutuar entre os dois por um período."


De acordo com o livro The Wonder Weeks estamos agora no penúltimo salto de desenvolvimento. O pior, dizem...espero que passe logo, depois tem o dos 18 meses e fim. Neném já vai estar com os miolinhos prontos pra enfrentar a vida, mas acho que daqui pra três anos vai ser isso aí, birras e mais birras, tentando aprender como lidar com o mundo.

Por conta disso estou adiando um pouco a vacinação dos 15 meses e a visita ao postinho...

E como Murphy não falha, tenho tido uma semana "daquelas" no trabalho. Operação na madrugada, sobreaviso com flagrante...ufa!

Mesmo chegando no final do dia com a sensação de ter sobrevivido a um furacão, ainda consigo achar fofa as gracinhas que ele tem feito, tipo:

Coloco ele pra dormir mas ele não dorme, mesmo assim eu saio do quarto e fico ouvindo ele sair da cama e andar até a porta, aí quando eu abro ele sai correndo pra cama rindo... Tem como ficar mal humorada?

Agora faz questão de passar requeijão no pão, eu seguro o pão e ele passa.


"Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?"

Estávamos vendo o filme da vida do Renato Russo, "Somos tão jovens" (lindo). Estava dando o mingau de aveia para o Ravi (adora essa gororoba de aveia, água e óleo de coco sem açúcar, realmente...) quando começou a tocar um punk rock no filme. Não é que ele começou a balançar a cabeça igual um roqueiro? 

:D

"Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar"


Escada/Armário pronta e entregue ;)

Ravi adora essa pá de lixo...

(música: meninos e meninas- Legião Urbana)